terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Meu outro mundo

     Vamos tentar retroceder à minha primeira infância, ou mais ainda, vamos retroceder aos primórdios de minha ascendência.
     Como Sinclair, vi o mundo dividido em dois: o mundo luminoso é o que relata minha infância. De útil nada me vem à memória, lembro do lar paterno, alguns familiares, diversão, bondade, brincadeiras, alguns primos e... Pai e mãe. Eu ainda podia aturar todos os laços familiares que grudavam em mim por conforto e segurança. Naquela época, o mundo luminoso parecia certo, suficiente, porém, o mundo oposto era curioso, era completamente diferente, tinha outro odor, havia palavras de baixo calão, policiais perseguindo ladrões, homens embriagados que batiam em suas mulheres, histórias de roubos, assassinatos, suicídios, drogas... Mas também tinha amigos. Era isso... Mas era atraente. Quando dei por mim, me encontrei presente nos dois mundos, não porque quis, mas porque era a vida.
     Eu pensava que o mundo luminoso estaria de portas abertas para mim. Hoje não está mais e, o outro mundo aparece de braços abertos, querendo me confortar pela decepção que seu adversário me deu.  Ele acaricia meu rosto, enrola algumas mechas do meu cabelo nos dedos...
     Os laços familiares, presos a mim nos primórdios de minha ascendência, foram cortados conscientemente, “alguns”, não foi preciso cortar, tornaram-se brasas. Por alguma consideração, dois ou três ganharam um , mas nada hei de fazer  para desmanchá-lo. Se quiserem este laço, que o faça eles mesmos.
    Agora, me encontro com um laço cinza, envolta do meu corpo nu. Apesar de este mundo ser tudo o que é, o escuro nele presente, me deixa tão em paz quanto ficava no mundo luminoso.
  - Eu me entrego inteiramente, ao mundo que me confortou quando mais precisei, sem receio algum, com um laço de amor.-

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