Vamos tentar
retroceder à minha primeira infância, ou mais ainda, vamos retroceder aos
primórdios de minha ascendência.
Como Sinclair, vi
o mundo dividido em dois: o mundo luminoso é o que relata minha infância. De
útil nada me vem à memória, lembro do lar paterno, alguns familiares, diversão,
bondade, brincadeiras, alguns primos e... Pai e mãe. Eu ainda podia aturar
todos os laços familiares que grudavam em mim por conforto e segurança. Naquela
época, o mundo luminoso parecia certo, suficiente, porém, o mundo oposto era
curioso, era completamente diferente, tinha outro odor, havia palavras de baixo
calão, policiais perseguindo ladrões, homens embriagados que batiam em suas
mulheres, histórias de roubos, assassinatos, suicídios, drogas... Mas também
tinha amigos. Era isso... Mas era atraente. Quando dei por mim, me encontrei
presente nos dois mundos, não porque quis, mas porque era a vida.
Eu pensava que o
mundo luminoso estaria de portas abertas para mim. Hoje não está mais e, o
outro mundo aparece de braços abertos, querendo me confortar pela decepção que
seu adversário me deu. Ele acaricia meu
rosto, enrola algumas mechas do meu cabelo nos dedos...
Os laços
familiares, presos a mim nos primórdios de minha ascendência, foram cortados
conscientemente, “alguns”, não foi preciso cortar, tornaram-se brasas. Por
alguma consideração, dois ou três ganharam um nó, mas nada hei de fazer para
desmanchá-lo. Se quiserem este laço, que o faça eles mesmos.
Agora, me encontro
com um laço cinza, envolta do meu corpo nu. Apesar de este mundo ser tudo o que
é, o escuro nele presente, me deixa tão em paz quanto ficava no mundo luminoso.
- Eu me entrego inteiramente, ao mundo que me confortou quando
mais precisei, sem receio algum, com um laço de amor.-

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