quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Supernova


- Eu adoraria saber... Que somos poeira de estrelas. Adoraria saber que do espaço viemos e para o espaço retornaremos. Eu seria uma estrela de novo e, de novo me autodestruiria, voando por negra imensidão sem fim, a milhões de quilômetros por hora. Eu finalmente me sentiria completa, sem nada a completar, eu não saberia o que é solidão, mas provavelmente sentiria falta de algo... De livros, mas só dos bons. Só os que narraram minhas centenas de vidas, só os que me criticaram, uns que mancharam meu corpo celeste, outros que construíram em mim um castelo. Nada de reis, rainhas, príncipes e princesas, nada de conto de fadas, uma vez que não necessito de ambos. Um conto de fadas para quê? Se tenho toda uma grandeza material e imaterial na realidade?
    O que vejo, mas são invisíveis aos olhos nus, analiso com a mente, sem limite, sem tempo. Ai esta o desgraçado do tempo! Para que me limitar às horas, aos minutos, aos segundos? O meu relógio já esgotou a pilha barata, graças a mim. Quebrei e, vivi um bom tempo sem tempo.
     De olhos fechados eu vi e, eu descobri o que era mais importante para mim em vida, minha consciência, o meu intelecto, só meu. Então observei milhares de segredos, angustias, ódio e paixão. Amor? Que amor o quê... Só conheço um amor, um amor sem sentimento e sem amor. Não pretendo esbarrá-lo em qualquer canto ou dizer que amo sem amar, ou chorar de novo... Como chorei nas guerras, mas como as aplaudi, em pé, sem chapéu. Eu pensei em lutar, sem pensar. Eu ouvi tudo detalhadamente, no silêncio, sem ruídos. Eu vi a morte passar por mim, num beco sem saída, pintado de preto, beco por que passo todos os dias, beco este que venda meus olhos.
    Desapareci no nada por pelo menos um segundo, eu não questionei, não exigi. Meio fraca, assisti à minha vida incansável mais uma vez, cansada de viver. Quando pensei que a alegria procurava por mim, me deparei com uma armadilha da tristeza e, cai no buraco, sem lutar. Pensei por um momento, que não queria esperar para ser uma estrela. Decidi então dar inicio à minha autodestruição, eu mesma.

                                                                                                 

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