- Eu adoraria saber... Que somos poeira de estrelas.
Adoraria saber que do espaço viemos e para o espaço retornaremos. Eu seria uma
estrela de novo e, de novo me autodestruiria, voando por negra imensidão sem
fim, a milhões de quilômetros por hora. Eu finalmente me sentiria completa, sem
nada a completar, eu não saberia o que é solidão, mas provavelmente sentiria
falta de algo... De livros, mas só dos bons. Só os que narraram minhas centenas
de vidas, só os que me criticaram, uns que mancharam meu corpo celeste, outros
que construíram em mim um castelo. Nada de reis, rainhas, príncipes e
princesas, nada de conto de fadas, uma vez que não necessito de ambos. Um conto
de fadas para quê? Se tenho toda uma grandeza material e imaterial na
realidade?
O que vejo, mas são invisíveis aos olhos nus, analiso com a mente, sem limite, sem tempo. Ai esta o desgraçado do tempo! Para que me limitar às horas, aos minutos, aos segundos? O meu relógio já esgotou a pilha barata, graças a mim. Quebrei e, vivi um bom tempo sem tempo.
O que vejo, mas são invisíveis aos olhos nus, analiso com a mente, sem limite, sem tempo. Ai esta o desgraçado do tempo! Para que me limitar às horas, aos minutos, aos segundos? O meu relógio já esgotou a pilha barata, graças a mim. Quebrei e, vivi um bom tempo sem tempo.
De olhos
fechados eu vi e, eu descobri o que era mais importante para mim em vida, minha
consciência, o meu intelecto, só meu. Então observei milhares de segredos, angustias,
ódio e paixão. Amor? Que amor o quê... Só conheço um amor, um amor sem
sentimento e sem amor. Não pretendo esbarrá-lo em qualquer canto ou dizer que
amo sem amar, ou chorar de novo... Como chorei nas guerras, mas como as
aplaudi, em pé, sem chapéu. Eu pensei em lutar, sem pensar. Eu ouvi tudo
detalhadamente, no silêncio, sem ruídos. Eu vi a morte passar por mim, num beco
sem saída, pintado de preto, beco por que passo todos os dias, beco este que
venda meus olhos.
Desapareci no
nada por pelo menos um segundo, eu não questionei, não exigi. Meio fraca,
assisti à minha vida incansável mais uma vez, cansada de viver. Quando pensei
que a alegria procurava por mim, me deparei com uma armadilha da tristeza e,
cai no buraco, sem lutar. Pensei por um momento, que não queria esperar para
ser uma estrela. Decidi então dar inicio à minha autodestruição, eu mesma.
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